terça-feira, 8 de março de 2016

Respeita as mina, mano!

   Eu estava indo pra minha casa, como faço sempre, e com o mesmo medo que toda a mulher sente ao andar sozinha na rua praticamente vazia, quando eu pensei: "Hoje é dia oito de março. Pelo menos hoje, os homens respeitam as mulheres, já que é nosso dia, né?". É triste eu ter pensado isso. É triste a lembrança de que muitas mulheres só são respeitadas devidamente no dia internacional da mulher. É. Horrível.
    "Brasil tem 1 denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos", é o título de uma das notícias de hoje do jornal Estadão. É ridículo ver que muitas mulheres só no dia oito são respeitadas como devem. É triste saber que daqui a um minuto ou até mesmo agora há uma mulher ferida, tanto física quanto psicologicamente, ligando para o número 180 e tendo de denunciar uma agressão, onde o agressor foi, muitas vezes o próprio esposo. De 100%, 85,85% das agressões são cometidas em ambiente doméstico e familiar, dizem os dados da notícia.
    É muito difícil saber que uma "irmã" minha está sendo agredida nesse momento e não poder fazer nada. Muitas vezes, nem a irmã biológica sabe da agressão. Nem a irmã, nem a amiga, nem ninguém. Eles pensam que foi um escorregão enquanto passava pano na casa. Pensam que caiu de algum lugar.
   É mais difícil ainda pra mim, saber que infelizmente muitas pessoas acham que todos esses abusos são curados com um buquê de flores. Não. Não são. Você pode lotar a casa da pessoa com flores vermelhas, colocar um violinista lá tocando "Ode a alegria" do Beethoven que o trauma vai ficar. A marca do corpo sai, mas a de dentro fica.
   Queria pedir a todos, independente do sexo, o respeito. Não é porquê a mulher estuda, trabalha e não fica o dia todo com a barriga no fogão e na pia que ela deixa de ser mulher. Não é porquê você acha que "mulher só presta pra fazer as coisas de casa" que isso se torna verdade. Por favor, respeitem.
   Se está 30°C e uma mulher está sozinha na rua usando um vestido ou uma blusa regata, você não ganha o direito de assobiar ou cantar ela. A moça só quer andar na rua em paz. Para de encher o saco dela, pelo amor de Deus.
   Entenda: lugar de mulher é onde ela quer. Do mesmo jeito que o lugar do negro não é mais a senzala e nem nunca mais vai ser, o lugar da mulher também não é só lavando louça e passando roupa. E também nunca mais vai ser.
   Não estamos mais na idade média. Nosso dever não é só procriar e cuidar da casa. Hoje, nós podemos estudar, nos especializar e até ganhar prêmio Nobel, sabia?
    Eu queria conseguir falar muito mais sobre o assunto, mas infelizmente não consigo. São muitas as agressões feitas. Muitas lutas travadas. Prefiro ficar só nesse assunto hoje. Conversaremos mais outros dias, já que coisas assim precisam ser discutidas sempre e não só no dia da mulher.


Um último recado: Respeita as mina, mano!



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